Acolhida pelo MT Mamma, ela teve no Agrosolidário, programa da Aprosoja MT, um aliado para enfrentar os desafios do tratamento.
Quem conhece Ana José repara primeiro no sorriso. Largo, inteiro, desses que chegam antes da pessoa. Ela é segura de si e tem uma energia que se espalha pela sala. A história que conta, porém, começa num banho, num dia comum.
Em 2006, Ana acompanhou pela televisão as reportagens sobre o falecimento de Sandra Regina, filha do jogador de futebol, Pelé. Ela havia sido diagnosticada com câncer de mama, e a notícia ficou com Ana como um alerta sobre a doença e a importância do autoexame, que desde então passou a fazer durante o banho.
Algum tempo depois, em um desses momentos da rotina, sentiu um nódulo na mama. “Eu falei: ai, meu Deus. Dá aquele susto na gente.” Já na primeira consulta, o médico disse em voz alta a palavra que ela temia. Suspeitava de câncer de mama. O pensamento seguinte não pediu licença. “A primeira coisa que vem na mente da gente é: vou morrer”.
Os exames seguintes confirmaram o diagnóstico. Foi ao marido de Ana que o médico falou sem rodeios: era preciso correr contra o tempo. Logo em seguida, ela fez a biópsia e soube que o tumor já estava em estágio avançado. Em 12 de junho de 2007, entrou na sala de cirurgia. Depois vieram a quimioterapia, a radioterapia, os meses contados em sessões. Pouco mais de dois anos mais tarde, a doença avançou para outra parte do corpo, e foi preciso retirar o útero e os ovários. “Aí vamos na batalha, né?”, ela diz.
Numa dessas idas e vindas, uma amiga apareceu por acaso, visitando pacientes. Falou de um grupo de apoio a mulheres com câncer de mama, o MT Mamma, e não deixou para depois. “Vou te levar agora lá.” Ana foi. “Quando eu cheguei, minha filha, foi aquela bênção. Parece que Deus abriu uma porta, sabe? O apoio, o acolhimento, a ajuda. Tem psicólogo, tudo que você imaginar ali tem.” E resume o lugar com uma imagem que só quem foi acolhida consegue fazer: “É pequenininho, mas o coração é enorme”.
Há batalhas, porém, que não aparecem nos exames. O tratamento tirava de Ana algo tão básico quanto comer.“Eu comia e passava mal. Eu comia e passava mal”.
Foi então que chegou a bebida de soja do Agrosolidário, programa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), que alcança as pacientes por meio da parceria com o MT Mamma. Ana não sabia que aquilo existia. Logo descobriu o que podia fazer por ela.
“Foi a bênção total na minha vida”
“Comecei a dormir melhor, tudo na minha vida melhorou. Quando a gente acorda sem força, com as pernas cansadas, você toma e parece que revigora. É muito bom, sem palavras.”
Sobre a parceria, ela volta à imagem que atravessa toda a sua história, a de portas que se abrem. “Parece que Deus abriu as portas do céu pra ajudar nós”.
Dezenove anos se passaram desde aquele banho. Ana fala hoje com a serenidade de quem atravessou a tempestade e decidiu não carregar o medo como bagagem. Para quem acabou de receber o diagnóstico, não oferece fórmula. Oferece o que funcionou para ela. “Primeira coisa, ter fé em Deus, porque se a gente não tiver fé, a gente não vai pra frente. E força de vontade, porque tudo é passageiro, tudo passa. E fazer o tratamento direitinho, como os médicos mandam”.
Então leva a mão ao peito, ali onde tudo começou, e o sorriso volta inteiro. “Eu já tenho 19 anos que tive câncer de mama. Espero chegar aos 100”.
A história de Ana José integra a série de histórias que a Aprosoja MT compartilha durante o Outubro Rosa, com mulheres que viveram ou ainda vivem o tratamento contra o câncer de mama.
Por Marianne Mariano - Assessoria de Comunicação
Bruno Lopes / Aprosoja MT
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