O podcast Apro360, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), recebeu, nesta quinta-feira (01.10), o coordenador de pesquisa Rodrigo Hammerschmitt e a pesquisadora Daniela Facco, do CTECNO Parecis, para o segundo episódio do quadro Hora Técnica. Durante a conversa, os pesquisadores apresentaram as características do centro de pesquisa e os principais estudos desenvolvidos para aprimorar o manejo de áreas com solos de textura média e arenosa.
Ao explicar a atuação do CTECNO Parecis, Daniela Facco destacou que as características do solo da região exigem estratégias de manejo diferentes daquelas utilizadas em áreas com maior concentração de argila. Segundo ela, os estudos são direcionados a solos que apresentam maior proporção de partículas de areia e até 35% de argila.
“O CTECNO Parecis trabalha com solos de textura mais leve, como os de textura média e arenosa. Dentro dele nós temos uma característica específica do solo: uma maior proporção de partículas de areia em relação à argila. Trabalhamos com solos que possuem até 35% de argila, porque é a proporção de argila que utilizamos para classificar a textura do solo. Essa característica traz dinâmicas de manejo diferentes daquelas encontradas em solos com maior proporção de argila. Essa é a principal característica do trabalho desenvolvido no centro de pesquisa”, explicou Daniela.
O coordenador Rodrigo Hammerschmitt apresentou um panorama dos trabalhos conduzidos na estação de pesquisa, que possui uma década de atividades. As pesquisas abrangem desde a correção e fertilidade do solo até plantas de cobertura e diferentes sistemas de produção, buscando gerar informações que possam auxiliar o produtor em áreas consideradas de maior dificuldade de manejo.
“A Estação de Pesquisa do CTECNO Parecis já tem 10 anos de condução com pesquisas relacionadas à correção do solo, ao uso de condicionadores, ao manejo da fertilidade, incluindo macro e micronutrientes, e ao uso de plantas de cobertura. Também avaliamos diferentes sistemas de produção em função dos ambientes que temos lá, com solos de textura média e solos de textura arenosa. A agricultura vem migrando para áreas de solos mais arenosos e, diante desse cenário, que envolve solos de mais difícil manejo, a Aprosoja MT vem investindo em pesquisas nessas áreas. O CTECNO Parecis foi estruturado justamente para estudar o desenvolvimento da cultura da soja, híbridos de milho, o comportamento das plantas de cobertura e o desenvolvimento das culturas de interesse econômico após o uso dessas plantas. O objetivo é trazer informações para o produtor sobre o manejo de solos de difícil manejo”, disse Rodrigo.
Além das linhas de pesquisa, a estrutura necessária para a realização dos experimentos também foi apresentada durante o episódio. A pesquisadora Daniela Facco explicou que o CTECNO Parecis conta com uma equipe própria dedicada aos trabalhos e uma área de 86 hectares destinada às pesquisas.
“Temos uma equipe própria que fica exclusivamente dentro do Centro de Pesquisa conduzindo os trabalhos. O CTECNO funciona como uma espécie de mini fazenda, porque temos uma área de 86 hectares destinada às pesquisas. Temos assistentes, analistas e operadores, porque precisamos de toda essa estrutura para plantar, cultivar e colher os experimentos. Além disso, contamos com equipes de apoio dentro da Aprosoja MT, como a Defesa Agrícola e outras áreas, que contribuem e fazem associações com os resultados e trabalhos desenvolvidos no Centro de Pesquisa”, explicou.
Entre os estudos desenvolvidos no local estão experimentos voltados à correção do solo, com avaliações sobre calagem, diferentes formas de aplicação e doses de corretivos. Rodrigo explicou que os trabalhos também acompanham a resposta das culturas ao longo do tempo e analisam o comportamento dos nutrientes no perfil do solo, especialmente em áreas arenosas.
“Os trabalhos que desenvolvemos envolvem, basicamente, corretivos de solo. Estudamos a calagem, o modo de aplicação dos corretivos e diferentes doses. São experimentos de longa duração, nos quais avaliamos a resposta das culturas a esses manejos e o comportamento do solo em profundidade. Também temos trabalhos envolvendo nutrientes, especificamente o fósforo, avaliando o modo e a dose de aplicação e qual é a quantidade necessária para produzir satisfatoriamente. Fazemos coletas de solo para identificar onde esse elemento está presente. Também trabalhamos com potássio, avaliando o efeito da ciclagem desse nutriente e possíveis perdas em profundidade, principalmente em solos arenosos, porque o potássio é um elemento bastante móvel no solo”, explicou o coordenador de pesquisa.
Os estudos também envolvem micronutrientes, adubação sulfatada e plantas de cobertura. Segundo Rodrigo, essas pesquisas permitem avaliar diferentes estratégias de manejo e compreender como elas interferem no desenvolvimento das culturas em solos arenosos.
“Temos ainda trabalhos em rede com micronutrientes e fisiológicos, desenvolvidos tanto no CTECNO Parecis quanto no CTECNO Araguaia. Também estudamos diferentes fontes de adubação sulfatada, como gesso, superfosfato simples e enxofre elementar, para entender o comportamento desse macronutriente em solos arenosos. Outro foco importante são as plantas de cobertura e o impacto do uso de braquiária e estilosantes no desenvolvimento da soja. Com esses trabalhos, conseguimos observar que, em solos arenosos, a planta de cobertura e o manejo adequado dos nutrientes são fatores fundamentais para alcançar boas produtividades”, pontuou.
O quadro Hora Técnica busca aproximar o conhecimento produzido por pesquisadores e especialistas da realidade do produtor rural, apresentando de forma acessível informações sobre manejo, tecnologia e produção agrícola.
Por Marina Cintra - Assessoria de Comunicação
Crédito: Aprosoja MT

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