Aos 19 anos, Erick Henrique Magalhães desenvolveu o Ponto. OS em cerca de 20 dias. Gratuita, a ferramenta chegou a registrar 7,5 mil usuários em um único dia nos primeiros dias de funcionamento.
Quem depende do transporte coletivo conhece a rotina: chegar ao ponto sem saber se o ônibus já passou, quanto tempo falta para chegar ou qual linha pegar. Foi dessa experiência que nasceu o Ponto. OS, plataforma criada por Erick Henrique Magalhães, de 19 anos, ex-aluno da primeira turma do Conecta Jovem, programa social realizado pela empresa Log Lab.
Estudante universitário, Erick utiliza ônibus diariamente desde o ensino médio. “A ideia veio justamente da dificuldade que eu passo todo dia”, conta. Segundo ele, os aplicativos disponíveis apresentavam informações desatualizadas, excesso de anúncios ou cobravam assinaturas para liberar funcionalidades. Ao descobrir que a MTU disponibiliza uma base pública de dados sobre a localização da frota, decidiu criar uma alternativa. “Falei: cara, eu consigo desenvolver algo melhor. As pessoas precisam de algo melhor”, lembra.
O Ponto.OS é uma aplicação web gratuita, acessível pelo navegador de celulares e computadores. Com dados públicos da MTU, a plataforma mostra a localização dos ônibus, estima os horários de chegada aos pontos e indica as linhas que o passageiro pode utilizar para chegar ao destino. Atualmente, atende às linhas de Cuiabá e Várzea Grande.
O desenvolvimento levou cerca de 20 dias. Para conciliar o projeto com a faculdade, Erick programava à noite e testava as funcionalidades com amigos, que sugeriam melhorias.
Em 11 dias de funcionamento, a plataforma chegou a registrar cerca de 7,5 mil usuários em um único dia, mantendo uma média diária de 3,2 mil a 3,5 mil pessoas. A repercussão despertou o interesse do poder público. Segundo Erick, o prefeito de Cuiabá entrou em contato para conhecer a iniciativa.
“É uma ferramenta criada por alguém que passa por isso todo dia, para as pessoas que também passam por isso todo dia. Da comunidade para a comunidade”, resume. As sugestões dos usuários, como a inclusão de linhas ainda não disponíveis, orientam as próximas atualizações.
Da curiosidade à prática
O interesse de Erick pela tecnologia começou cedo. Segundo a mãe, aos três anos ele já digitava letras no computador para encontrar vídeos no YouTube. Aos 12, começou a programar pequenos projetos e, no ensino médio, cursou o técnico integrado em Informática no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).
Foi no Conecta Jovem, entretanto, que essa vontade ganhou estrutura. Erick participou da primeira turma do programa durante seis meses, em 2025. “O Conecta Jovem foi um divisor de águas. Eu sempre tive vontade de trabalhar nessa área, mas o que me deu recurso, o que me deu base, o que me estruturou de verdade foi o Conecta Jovem”, afirma.
Ele destaca a metodologia prática das aulas, especialmente no desenvolvimento de aplicativos, que incentivava os alunos a identificar problemas e criar soluções. “Sair da teoria e ir para a prática. Foi isso que me impulsionou a tomar essa iniciativa”, explica.
Erick também ressalta um princípio reforçado por Fernando Pereira, idealizador do Conecta Jovem: retribuir à sociedade os conhecimentos e as oportunidades recebidos. “Esse conhecimento que recebi do Conecta e todo o apoio que estou recebendo da comunidade, eu quero continuar devolvendo, ajudando cada vez mais pessoas”, diz.
A trajetória do jovem reflete o propósito do programa: oferecer conhecimento técnico e confiança para que os participantes identifiquem desafios do cotidiano e desenvolvam soluções capazes de melhorar a vida das pessoas.
Erick pretende lançar o Ponto.OS como aplicativo nativo na Play Store e na App Store e ampliar a cobertura para outras cidades e distritos da região, como Santo Antônio do Leverger, que utiliza outro sistema de transporte.
Para ele, o projeto representa o início de uma carreira dedicada a ajudar pessoas por meio da tecnologia. Seu conselho a outros jovens é direto: “Acredite em si. Se você tem uma ideia, se tem vontade de resolver um problema, vai lá e faça. Pode não ser a melhor solução no primeiro momento, mas com prática você vai melhorando. Não tem como ficar só na teoria.”
Por Cristina Cavaleiro - Métrica Assessoria de Comunicação
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