Avanços na genética de sementes, pesquisas aplicadas ao solo e agricultura de precisão contribuem para aumentar a produtividade e melhorar a gestão das propriedades rurais.
O início da agricultura mato-grossense foi marcado por famílias corajosas, dispostas a trabalhar de sol a sol no campo. Com o passar dos anos, a evolução tecnológica transformou a rotina das propriedades rurais. Máquinas equipadas com sistemas de GPS, drones, sementes com genética aprimorada e novos insumos passaram a fazer parte da produção agrícola. O investimento em pesquisa também contribuiu para o desenvolvimento de técnicas de manejo e para o aumento da produtividade.
Esses avanços permitiram ampliar a produção e diversificar o uso dos produtos agrícolas, presentes na alimentação dos brasileiros e na fabricação de diferentes produtos, como itens de uso doméstico e biocombustíveis. Neste dia 17 de outubro, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) celebra o Dia Mundial da Agricultura e destaca a importância da pesquisa e da tecnologia para o desenvolvimento do setor.
A resistência a pragas, o potencial produtivo e a duração do ciclo são características consideradas na escolha das sementes. O desenvolvimento genético permitiu disponibilizar variedades de soja mais precoces, que podem completar o ciclo em períodos menores, conforme as características da planta e as condições de cultivo. Os insumos agrícolas também passaram por transformações. Os bioinsumos, desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de seus derivados, ampliaram as alternativas disponíveis para o manejo das lavouras e podem contribuir para o uso mais eficiente de insumos sintéticos, conforme a estratégia adotada pelo produtor.
Os investimentos em pesquisa e tecnologia acompanham o crescimento da produção agrícola mato-grossense. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado alcançou na safra 2025/26 uma produção de 51,56 milhões de toneladas de soja e 58,04 milhões de toneladas de milho.
Parte desse avanço também está relacionada aos estudos realizados diretamente nas propriedades e nos campos experimentais. Nos Centros de Pesquisa (CTECNO) da Aprosoja MT, localizados em Campo Novo do Parecis e Nova Nazaré, pesquisadores avaliam técnicas de manejo e desenvolvem estudos que podem auxiliar os produtores na tomada de decisões. O coordenador da Comissão de Defesa Agrícola da Aprosoja MT, Fernando Ferri, explica que os resultados das pesquisas ajudam a orientar o manejo das lavouras e a utilização de insumos. Segundo ele, os estudos realizados no CTECNO Parecis, em solos arenosos, já apresentam resultados que auxiliam os produtores no planejamento da adubação.
“O CTECNO vem para auxiliar o produtor e dar embasamento técnico. O nosso CTECNO Parecis, de solos arenosos, já tem um longo período de estudos e resultados mais confiáveis e validados. Um exemplo, este ano, com os altos preços dos fertilizantes, o CTECNO já fez estudos em áreas que têm fósforo acima do nível crítico. O produtor pode tirar até três safras, zerar o fósforo, porque não vai ter perda de produtividade. Eu mesmo, este ano, estou trabalhando com zero de fósforo na minha propriedade, graças a esse estudo que o CTECNO realizou”, disse.
A aplicação do conhecimento científico também contribui para o planejamento de estratégias que buscam conciliar produtividade e sustentabilidade. A escolha das sementes, o manejo da fertilidade do solo, a utilização de insumos e o acompanhamento das lavouras fazem parte das decisões que influenciam o desempenho da produção. A delegada do núcleo de Cláudia, Alen Daiana Paludo, destaca a importância de acompanhar as pesquisas e investir em diferentes ferramentas para aprimorar o trabalho no campo.
“A busca por produtividade não depende de uma única tecnologia. Investimos em genética de sementes, fertilidade do solo, novos produtos, manejos, máquinas e ferramentas de agricultura de precisão. Considero fundamental buscar esse conhecimento e acompanhar pesquisas e novas tecnologias, nos auxiliando no desenvolvimento do campo”, explicou.
Além das pesquisas e dos avanços genéticos, a conectividade ampliou as possibilidades de monitoramento e gestão das propriedades rurais. Alertas enviados diretamente aos celulares, máquinas conectadas à internet, sistemas de irrigação inteligente e drones utilizados para acompanhar o desenvolvimento das lavouras fazem parte da rotina de produtores que investem em tecnologia. Essas ferramentas permitem acompanhar operações, acessar informações meteorológicas e monitorar as condições das lavouras, contribuindo para decisões mais precisas. A conectividade também facilita o acesso a dados que auxiliam no planejamento das atividades agrícolas.
“Hoje a internet é uma ferramenta indispensável dentro da propriedade. Utilizamos para comunicação, acompanhamento das lavouras, acesso a informações de clima, gestão da propriedade e o próprio acompanhamento das operações das máquinas. A conectividade trouxe muita agilidade e precisão para as tomadas de decisões dentro da propriedade. Hoje, a gente não vive sem a internet dentro da fazenda”, disse.
O acesso à internet nas propriedades rurais também avançou em Mato Grosso. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), de 2026, aponta que 98,53% das propriedades rurais pesquisadas possuem acesso à internet. Entre os entrevistados com acesso à rede na propriedade, 20,45% contam com conectividade em toda a área de plantio. O percentual representa um aumento de 10,48 pontos percentuais em relação a 2023, quando o índice era de 9,97%.
A ampliação da conectividade permite utilizar recursos digitais no acompanhamento das operações e no planejamento da produção, reduzindo a dependência de processos manuais e ampliando o acesso a informações em tempo real.
“Muitas decisões eram tomadas com menos informações e dependiam muito mais das experiências e dos processos manuais. Com a internet, hoje mudou completamente essa realidade. Conseguimos acessar informações em tempo real, acompanhando o clima, monitorando as lavouras, utilizando dados para tomar decisões e realizando operações das máquinas com muito mais precisão. Então, hoje é impossível uma propriedade sobreviver sem essa tecnologia e sem essa internet ou satélite que nos auxilia”, explicou Alen.
A evolução da agricultura mato-grossense é resultado da combinação entre experiência no campo, pesquisa, genética, manejo e tecnologia. O investimento nessas áreas contribui para aprimorar o uso de insumos, aumentar a eficiência das operações e ampliar o potencial produtivo das lavouras. Com o planejamento adequado, essas ferramentas também podem favorecer o aumento da produção sem a necessidade de expandir proporcionalmente a área cultivada, reforçando a importância do conhecimento e da inovação para o futuro do agro.
Por Bruna Cardoso - Assessoria de Comunicação
Crédito foto: Aprosoja MT
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