A entidade discutiu os desafios enfrentados pelo produtor rural e defendeu investimentos em infraestrutura e integração dos modais.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participou, nesta sexta-feira (04.09), da 5ª edição do Fórum Conexão Porto-Indústria 2026, realizado em Santos (SP). O encontro reuniu representantes dos setores público e privado para discutir os principais desafios e oportunidades relacionados à infraestrutura, à logística e à competitividade da produção brasileira.
Durante o evento, foram debatidos temas como eficiência logística, ampliação da infraestrutura, transição energética e os impactos da tecnologia no setor portuário. Representando a Aprosoja MT, o vice-presidente Norte e coordenador da Comissão de Logística, Diogo Balistieri, participou do painel 2, com o tema “Ampliação da infraestrutura: o caminho estrutural para o Porto de Santos”.
Ao representar o setor produtivo, Diogo Balistieri destacou os impactos que os gargalos logísticos geram para o produtor rural, especialmente em Mato Grosso, que está distante dos principais portos e ainda possui forte dependência do transporte rodoviário. Ele também chamou atenção para o crescimento da produção estadual e para a necessidade de ampliar a capacidade de escoamento.
“Os custos acabam sendo depositados, de alguma forma, sobre todo o setor produtivo. E a gente, ainda mais porque está lá no centro do país, longe de todos os portos, próximo à linha do Equador, acaba ficando longe de qualquer saída. E a gente depende, ainda basicamente, do modal rodoviário. Andando de Mato Grosso até o Porto de Santos, são praticamente 2 mil quilômetros em cima de um caminhão, perdendo grão na estrada, enfrentando acidentes com caminhões e impactando ainda também no custo da nossa logística, que acaba impactando na renda final do produtor”, afirmou.
Diante do crescimento da produção estadual, o vice-presidente também ressaltou a necessidade de ampliar a capacidade de escoamento e avançar em alternativas logísticas que possam acompanhar o aumento da produção mato-grossense.
“Então, a gente sabe que o Mato Grosso aumenta a produção a níveis que já foram citados antes. Uma produção de 109 milhões de toneladas, que daqui a 10 anos está prevista para chegar a 144 milhões de toneladas. Então, é praticamente um aumento de 30%. E, se aumenta lá, os portos aqui também vão ter que aumentar a capacidade. Se não for aqui, vai ter que ser em outro lugar. Então, a gente até fica com uma indignação porque temos a Ferrogrão lá, que seria uma das alternativas para desafogar o nosso gargalo, e ela está parada praticamente há uma década. E o produtor acaba pagando esse custo muitas vezes com a própria falência, porque o setor passa por períodos de crise”, ressalta.
A necessidade de ampliar a capacidade de transporte também foi destacada pelo secretário Nacional de Hidrovias, Otto Burlier, que participou do primeiro painel, com o tema “Eficiência operacional como alavanca imediata de capacidade no Porto de Santos”. Segundo ele, a melhoria da infraestrutura e a eficiência das operações são fundamentais para fortalecer a logística e a competitividade brasileira.
“Estamos aqui no quinto Fórum Conexão Indústria e Porto, na cidade de Santos, representando o Ministério de Portos e Aeroportos, a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação. É um evento muito importante para discutirmos a logística no Brasil, a cabotagem e a navegação interior. Nosso papel aqui é apresentar os nossos trabalhos e as nossas iniciativas, mas também aprender e ouvir o setor, entendendo o que podemos fazer para melhorar cada vez mais a logística no Brasil”, disse Otto.
O diretor-presidente da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS), Rafael Langoni, também destacou a importância do encontro para aproximar os diferentes segmentos envolvidos no comércio exterior e discutir os desafios da logística brasileira. Segundo ele, o diálogo entre os participantes pode contribuir para a busca de soluções que reduzam custos e aumentem a eficiência do sistema.
“É um evento muito importante, que reúne todos os players do setor e toda essa cadeia do comércio exterior, principalmente do agronegócio, que é uma área em que o Brasil tem conseguido crescer de forma consistente nos últimos anos, inclusive em produtividade, ao contrário de muitos outros setores da economia. O agronegócio tem sido, inclusive, a principal pauta de exportação brasileira. Então, a nossa expectativa é muito grande, porque o evento nos dá a oportunidade de contar um pouco do que estamos fazendo, de como enxergamos os principais desafios do setor e, também, de ouvir os colegas, conhecer os avanços, mas também as dificuldades que cada um enfrenta no dia a dia. E, de alguma maneira, conseguir articular esse trabalho para que possamos nos ajudar, destravar processos, reduzir o custo Brasil, aumentar a eficiência e trazer cada vez mais valor para o nosso país”, destacou Rafael.
Ao levar a visão do produtor rural para o debate, a Aprosoja MT reforça a importância de que os investimentos em infraestrutura acompanhem o crescimento da produção e considerem os desafios enfrentados ao longo de toda a cadeia. Para o setor produtivo, a ampliação e a integração dos modais são fundamentais para reduzir gargalos, diminuir custos e garantir maior eficiência no transporte dos grãos de Mato Grosso até os mercados consumidores.
Por Marina Cintra - Assessoria de Comunicação
Foto: Aprosoja MT
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