Participação na Distributech 2026 reforça posicionamento da empresa mato-grossense para atender à crescente demanda por equipamentos impulsionada por data centers e eletrificação de veículos.
A Trael, fabricante mato-grossense de transformadores, deu um passo importante em sua estratégia de expansão internacional ao participar da Distributech 2026, principal evento mundial voltado ao setor de transmissão e distribuição de energia elétrica. Realizada entre os dias 2 e 5 de fevereiro, em San Diego, nos Estados Unidos, a feira reuniu mais de 20 mil profissionais do setor energético, com mais de 800 especialistas e cerca de 700 empresas expositoras discutindo os desafios e as oportunidades da transformação da rede elétrica global.
A presença da empresa no evento integrou o Pavilhão Brasil, iniciativa coordenada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), em parceria com a ApexBrasil. Ao todo, 31 empresas brasileiras apresentaram soluções tecnológicas e produtos voltados para eficiência energética, digitalização, automação, segurança e sustentabilidade, reforçando a competitividade internacional do setor eletroeletrônico nacional.
No caso da Trael, o objetivo foi claro: iniciar uma jornada de posicionamento global como fornecedora de soluções para o mercado de transformadores, com foco inicial no mercado norte-americano. Segundo o engenheiro da empresa, Elton Jeser, o cenário atual dos Estados Unidos cria uma oportunidade estratégica para novos fornecedores internacionais.
“O objetivo da Trael na feira foi apresentar a empresa para o mercado americano e se colocar como uma opção de fornecimento de transformadores, principalmente transformadores pedestal. Existe hoje uma demanda crescente por esses equipamentos impulsionada pela expansão das redes de energia, pelo avanço dos data centers ligados à inteligência artificial e pela eletrificação de veículos”, explica.
Segundo ele, o aumento do consumo de energia tem pressionado a cadeia de fornecimento no país. “Os fabricantes americanos não estão conseguindo suprir essa demanda e os prazos de entrega ultrapassam 12 meses. Isso abriu espaço para novos fornecedores internacionais”, afirma.
Com mais de 30 anos de experiência na fabricação de transformadores, a Trael vê nesse cenário uma oportunidade de ampliar sua presença global, tendo como diferencial competitivo justamente a capacidade produtiva e prazos mais competitivos.
Estratégia de internacionalização
A estratégia de internacionalização, no entanto, não começou agora. Segundo o gerente comercial e de marketing da Trael e diretor de Inovação do Sindenergia, Dimas Alexandre Yamanaka, a empresa já possui histórico de exportações, principalmente para países da América do Sul, e passou a estudar com mais atenção o mercado norte-americano diante do aumento da demanda energética.
“A Trael exporta há mais de 20 anos para a América do Sul e já realizou operações para mercados da América Central e África. Nos últimos anos começamos a observar uma demanda reprimida muito forte nos Estados Unidos, impulsionada pela transformação digital, pelo avanço da inteligência artificial, pelos data centers e pela eletrificação veicular”, explica.
Segundo ele, esse movimento levou a empresa a ampliar sua estrutura industrial voltada à produção de transformadores de média força.
“A Trael construiu uma nova planta voltada a produtos mais engenheirados, como transformadores pedestal, equipamentos subterrâneos e transformadores para aplicações industriais e solares. Estamos falando de equipamentos entre 300 e 3 mil kVA, um nicho importante dentro do portfólio para atender esse tipo de mercado”, afirma.
Yamanaka também destaca que a presença na feira teve um papel estratégico não apenas empresarial, mas também institucional. Como diretor de inovação do Sindenergia, ele acompanhou de perto as tendências tecnológicas do setor energético.
“Como diretor de inovação do Sindenergia, também estávamos atentos às novidades e às tendências de mercado relacionadas a data centers, inteligência artificial e à evolução do consumo de energia. Além disso, existe um papel institucional importante de estarmos próximos de entidades como a Abinee, que representam a indústria eletroeletrônica brasileira e ajudam a abrir portas para empresas nacionais no cenário internacional”, afirma.
Durante a Distributech, a empresa apresentou seu portfólio ao público internacional, com destaque para o transformador pedestal — conhecido no mercado norte-americano como pad mounted — considerado um dos principais produtos com potencial de entrada no país.
Outro diferencial apresentado foi o transformador autoregulável, tecnologia já utilizada no Brasil em parceria com a MR, além de ferramentas digitais como um tour virtual em realidade virtual pela fábrica da empresa.
“A ideia foi mostrar para o mercado americano que a Trael tem condições de atender essa demanda com qualidade e velocidade. Nosso complexo industrial é organizado em plantas dedicadas para diferentes linhas de produção, o que nos dá flexibilidade para atender transformadores de distribuição, média força e força em diferentes capacidades”, destaca.
Ele ressalta ainda que a entrada em mercados mais exigentes contribui para elevar o nível técnico da empresa e ampliar sua competitividade internacional.
“Essa interação com mercados mais exigentes promove maturidade técnica, qualificação das equipes e melhoria contínua dos processos. Além de ampliar escala e reduzir riscos, também abre novos mercados e fortalece a marca da empresa no cenário internacional”, afirma.
Para o executivo, o movimento também traz reflexos positivos para o próprio estado de Mato Grosso, ao diversificar a base industrial local.
“Mato Grosso é muito associado ao agronegócio, mas quando empresas industriais ampliam seu portfólio e começam a acessar novos mercados, isso fortalece toda a economia. A indústria de transformação ganha escala, gera mais tecnologia, qualificação e amplia a diversidade do parque industrial do estado”, pontua.
A Distributech 2026 abordou temas centrais para o futuro do setor elétrico, como modernização e confiabilidade das redes, integração de energias renováveis, inteligência artificial aplicada ao sistema elétrico, digitalização, cibersegurança e infraestrutura para veículos elétricos.
Por Stephanie Romero - 220 Assessoria de Imprensa


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