ARTIGO DE OPINIÃO - Música contra o excesso de telas na infância

*Por Manoel Izidoro

A presença das telas na rotina das crianças nunca foi tão intensa. Celulares, tablets, videogames e computadores passaram a ocupar grande parte do tempo livre, seja para entretenimento, estudo ou interação social. Embora a tecnologia traga facilidades e oportunidades de aprendizado, o uso excessivo desses dispositivos tem despertado preocupação entre pais, educadores e especialistas em desenvolvimento infantil.

A questão não está apenas no tempo dedicado às telas, mas também nos efeitos que esse hábito pode provocar ao longo do tempo. Irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e redução do interesse por atividades criativas estão entre os sinais frequentemente observados quando o uso de dispositivos eletrônicos se torna predominante na rotina infantil.

Esse comportamento crescente reforça a importância de estimular atividades que ampliem as experiências das crianças além das telas e contribuam para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social. A música ocupa um papel importante nesse processo.

Aprender música envolve diversos estímulos positivos para o cérebro infantil. Ao tocar um instrumento, a criança desenvolve coordenação motora, atenção, memória e percepção auditiva. A prática musical também exige concentração e disciplina, habilidades que muitas vezes ficam comprometidas quando a rotina é dominada pelos estímulos rápidos e constantes das telas.

Outro aspecto importante é o estímulo à criatividade. Diferente de muitas atividades digitais, nas quais o conteúdo já está pronto, a música incentiva a criança a criar, interpretar, experimentar sons e desenvolver sensibilidade artística. Cada nova melodia aprendida ou ritmo dominado representa uma conquista, fortalecendo a autoestima e a autoconfiança.

A música também favorece a socialização. Em aulas coletivas ou práticas em grupo, os alunos aprendem a ouvir o outro, respeitar tempos e colaborar para um resultado comum. São experiências que contribuem para o desenvolvimento de habilidades sociais importantes para a vida adulta.

Isso não significa que a tecnologia deva ser eliminada da rotina das crianças. O desafio está em encontrar o equilíbrio. Criar espaços para atividades artísticas, esportivas e culturais ajuda a ampliar o repertório de experiências dos pequenos e reduz a dependência de estímulos digitais.

Para muitas famílias, o primeiro passo pode ser simples, como incentivar o contato com instrumentos musicais, permitir momentos de exploração sonora em casa ou buscar escolas de música que ofereçam acompanhamento pedagógico adequado para cada faixa etária.

A educação musical contribui para formar indivíduos sensíveis, criativos e concentrados. Em um mundo cada vez mais conectado às telas, oferecer às crianças a oportunidade de aprender música pode ser uma das decisões mais valiosas para o seu desenvolvimento.

*Manoel Izidoro é professor e proprietário da Escola de Música IGC de Cuiabá.

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