Visita faz parte da capacitação de tradutores de mandarim proporcionada pela Aprosoja MT para que conheçam a realidade do agro do estado.
Ao longo da programação da capacitação técnica promovida pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o grupo de tradutores e intérpretes chineses deu continuidade à imersão no agro mato-grossense com visitas de campo que ampliaram, na prática, a compreensão sobre a cadeia produtiva da soja no estado.
A primeira parada foi no município de Jaciara, na fazenda do produtor associado Silvino Bortolini, onde os intérpretes acompanharam de perto um dia de plantio de milho e colheita de soja. A experiência permitiu que o grupo visualizasse as etapas do processo produtivo, desde o preparo do solo até a operação das máquinas no campo, entendendo na prática como se organiza a produção em larga escala no estado.
Durante a visita, os tradutores puderam observar o funcionamento dos maquinários, os tratos culturais adotados na lavoura, o manejo das áreas e a logística interna da propriedade, aprofundando o entendimento sobre os desafios enfrentados pelo produtor rural e as tecnologias empregadas na produção de soja.
“É muito importante que essas pessoas que venham para olhar aqui a lavoura, saber direito como funciona o processo produtivo, conhecer as virtudes e os problemas. Eu acredito que nós devemos ser um livro aberto que eles possam ler, possam olhar, para que eles fiquem sabendo da realidade. Essa visita agrega para o produtor também, porque a gente ouve muitas coisas deles sobre como é o processo produtivo em outros países ", comenta o produtor.
A presidente do Sindicato Rural de Jaciara, Juliana Bortolini, também acompanhou a visita e destacou a relevância da aproximação entre produtores e representantes internacionais, reforçando o papel do município na produção agrícola de Mato Grosso.
“Eu tenho certeza que essas pessoas vão voltar com outro olhar sobre o agro brasileiro, e isso agrega para o nosso município também, porque mostra que nós temos representação no agronegócio do estado”, afirmou Juliana.
Na sequência, o grupo seguiu para Rondonópolis, onde visitou o terminal ferroviário da Rumo, responsável por uma parcela significativa do escoamento da produção de grãos do estado. No local, os tradutores conheceram a estrutura logística, os processos de carregamento e a dinâmica de transporte por meio de locomotivas, etapa fundamental para que a soja mato-grossense chegue aos portos e, posteriormente, ao mercado internacional.
Durante a visita técnica, a especialista de relações governamentais e institucionais da Rumo, Vitória Maciel, apresentou a operação do terminal, desde a recepção dos grãos até o embarque ferroviário, demonstrando como a integração entre campo e logística é determinante para a competitividade do agro brasileiro.
“Fizemos uma introdução institucional no início, apresentamos alguns dados, formação do grupo, nossos projetos, nossos investimentos, e na sequência trouxemos alguns números aqui do terminal multimodal ferroviário de Rondonópolis. E na sequência a gente levou o pessoal para conhecer a operação, eles viram todo o processo de descarga dos grãos, de carregamento dos vagões e foi um dia bastante produtivo. É bastante importante mostrar não só na teoria, mas também na prática para eles principalmente por serem chineses e fazerem parte desse mercado tão importante, já que hoje a China é o nosso principal comprador de grãos no mundo”, destaca.
A assessora internacional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (SEDEC-MT) e diretora internacional da Invest MT, Ariana Guedes de Oliveira, que acompanhou as agendas, ressaltou que a vivência prática fortalece a qualidade da comunicação entre Brasil e China, especialmente quando se trata de explicar sistemas produtivos complexos.
“Essas visitas in loco têm tido um efeito surpreendente inclusive em nós mato-grossenses, que conhecemos essas estruturas. A gente visitou uma fazenda de soja, a gente teve a oportunidade de entrar numa colheitadeira, uma plantadeira de última geração, que são coisas que nós conhecemos na teoria, mas não vemos na prática. E é impactante, é revolucionário e eu acredito que essa capacitação dos intérpretes chineses vai fazer uma transformação no nosso estado.”
Para a tradutora chinesa que participou do circuito técnico, Peggy Yu, a experiência foi enriquecedora e ampliou a compreensão sobre a realidade da agricultura mato-grossense.
“Está sendo bastante enriquecedora porque o conteúdo é muito rico e ajuda muito o meu trabalho como intérprete a entender o contexto, a entender as palavras. Quando a gente traduz uma delegação chinesa, não traduz só a palavra, mas traduzimos o contexto, o sentido. Conseguimos entender quais são as plantas daninhas, como que carrega o grão, como funciona a profissionalização de tudo, e vendo na prática e você consegue entender melhor todo o contexto. Isso vai ajudar bastante porque assim o intérprete sabe o contexto, ele sabe o que um técnico profissional brasileiro está explicando, consegue fazer um paralelo em chinês para que o chinês, quando vem visitar a realidade brasileira, consiga entender como os brasileiros trabalham aqui e levar esse conhecimento de volta pra China”, finaliza.
A etapa prática da capacitação consolidou o objetivo da iniciativa: proporcionar aos intérpretes uma visão integrada da produção à exportação, garantindo mais precisão, segurança e fidelidade na comunicação entre Mato Grosso e seu principal parceiro comercial, a China.
Por Raiane Florentino - Assessoria de Comunicação
Foto: Aprosoja MT/Mateus Dias
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