24 DE JANEIRO - DIA DO APOSENTADO: ETARISMO & JOVEM VELHO

*Por Itamar Perenha.

Curiosa a cronologia, ou, em linha mais direta, a marcação do tempo. Há muitas civilizações com marcos iniciais da contagem do tempo de forma bastante diferente. E com resultados surpreendentes. Há calendários em que aparecemos no ano de 5.767, outros 3.212 e até pequenas diferenças entre o calendário gregoriano e o calendário juliano. O primeiro sempre precisa de um ajuste e usa o artifício do bissexto e fevereiro aguenta a conta.

O calendário gregoriano segue a linha do tempo da eclípitica da Terra ao redor do sol e assim, cada ano tem 365 dias e com a correção do bissexto se fazem os apontamentos.

Se lembrarmos os marcadores de tempo há um rol. Vamos da ampulheta, fabricada de areia e vidro com as respectivas marcações e até os relógios mais precisos baseados na frequência do Césio.

Então, importa o calendário, o corpo humano envelhece. Uns conseguem se manter hígidos aos 80, 90 anos, algo impensável para quem é criança, outros para chegarem à maioridade e se sentirem cidadãos do mundo até se chegar à percepção do tempos diferentes segundo a idade. Para quem espera o ENEM, o tempo é curto para tanto esforço educacional, na azáfama da criação dos filhos falta tempo para tudo, até que ele flui mais depressa conforme envelhecemos, por mais que o dia continue com 24 horas.

Nas andanças do Sindicato e pelas redações já ouvi diversas frases com relação à idade: "Velho é um jovem que deu certo. Se não fosse isso ficava pelo caminho." "Velho é um atraso." Já não existem mais velhos, mas eufemismos: melhor idade, terceira idade e tantos outros que não escondem a realidade da passagem inexorável do tempo.

Encontrei, nas reações por que passei, "velhos jovens" e "jovens velhos" até perceber que distinção entre ambos estava no desempenho funcional.

Um consultor senior, madrugador, que chegava cedo e se acercava de todos na hora do cafezinho (eita costume brasileiro maravilhoso) fazia a diferença. Conseguiu, a partir das conversas do cafezinho, reconhecer os mais "produtivos" dos mais lentos e a "tchurma" do meio.

Usava a linguagem própria dos jovens a ponto de ser acolhido pelo grupo como mais um da turma. Ninguém imaginava que aquela figurava divertida, adepto do cafezinho e da prosa intervalada, realizava o seu trabalho de psicologia organizacional da empresa com rara competência.

Quando o plano foi dado a conhecimento ele fez uso da palavra não se ouvia um "oh!" de susto, mas, uma intimidade e a descoberta de que o "velho" era ativo, diligente e aplicado. Com 87 anos e sabedoria singular preparou a turma toda para se equilibrar na produtividade sem que se esfalfassem e utilizassem a simples modulação do trabalho para que ninguém precisasse sair estafado e encarar alguma jornada doméstica, ou, apenas sair para um jantar com a mulher e os filhos.

A conclusão me pareceu óbvia quando soube do caso.

Estávamos diante de um "jovem que deu certo" e que aproveitou a sabedoria, os cuidados próprios, o engajamento e a experiência para elevar a capacidade produtiva de uma empresa que já se preocupava com a pluralidade, diversidade e inclusão social e, apesar de muita controvérsia, conseguiu incrementos de produtividade pela engenharia social desenhada com maestria.

A experiência - tempo de vida bem aproveitado - com as conexões certas são hoje ferramentas imprescindíveis para empresas sintonizadas com seu tempo e com a percepção clara de que a população vem envelhecendo à medida em que a taxa de fecundida decai e a reposicão do conjunto demográfico incorpora um contingente maior de idosos, velhos, ou qualquer outra designação para quem o tempo vai passando como ponteiros de relógio até que a bateria, ou a corda acabe.

Procurar manter a autonomia, ocupar-se, aprender novas tecnologias, sintonizar-se com época e manter a contemporaneidade vai dizer se você é "um jovem que deu certo!"

E aproveite o cafezinho a cada dia que nasce, pois, só as relações humanas (coisa bem diferente da simples conexão) é que afastará a sombra do etarismo que afasta cidadãos em plena aptidão produtiva em capacitação coletiva, inclusive e abrangente em todos os seus aspectos inclusive o que pode ser contabilizado pelo acerta desta iniciativa de inclusão.

Desejo que "muitos velhos sejam jovens que dão certo!"

*Itamar Perenha é Jornalista, Presidente do SindjorMT e Vice-Presidente da Fenaj.

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